Cenário XXI
Nanorrobôs vão percorrer nossos corpos em breve
O uso de nanocondutores de substâncias químicas para melhorar a saúde humana já foi objeto de pesquisa de outro departamento da Universidade Estadual de Campinas
O uso de nanocondutores de substâncias químicas para melhorar a saúde humana já foi objeto de pesquisa de outro departamento da Universidade Estadual de Campinas. Orientado pelo professor Luiz Carlos Kretly, Adriano Cavalcanti defendeu o uso de minúsculos e potentes aliados para percorrer o corpo humano, carregando a missão de levar drogas a células e órgãos específicos. Os nanorrobôs foram tema de sua tese de doutorado, pelo Departamento de Microondas e Ótica da Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp.
Cavalcanti desenvolveu o que foi chamado de Nanorobot Control Design, um software simulador em 3D capaz de projetar as condições físicas que um nanorrobô teria que enfrentar para chegar ao ponto desejado no corpo humano. O simulador também serve para controlar o nanorrobô e determinar suas ações e trajetos - o que dá a esses nanoagentes a capacidade de realizar cirurgias.
O objetivo é que num prazo de cinco a dez anos, a medicina possa usufruir dos nanorrobôs, garantindo o controle do nível nutricional de um indivíduo, por exemplo.
Os aliados invisíveis seriam injetados ao corpo, carregados de nutrientes. Percorreriam, segundo Cavalcanti e Kretly, caminhos pré-estabelecidos e controlados por softwares até os pontos desejados. Para guiar a locomoção do nanorrobô, os pesquisadores fariam uso do macrotransponder, um sistema de ultra-som que permite localizar a nanomáquina e ditar seu trajeto.
Os nanorrobôs são programados para identificar obstáculos, moléculas diferentes, órgãos que necessitem algum tipo de intervenção, outros nanorrobôs que “naveguem” no mesmo espaço (para evitar colisões e para “trabalhar em equipe”).
O trabalho, iniciado em abril de 2002, já chamou a atenção do mundo e é leitura obrigatória no curso de Nanorrobótica da Universidade da Califórnia e leitura indicada na Universidade Nacional de Taiwan. No Brasil, é realizado em cooperação com o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron.