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Publicada em 18/7/2004

Revista Metropole
Esse prato é uma piada

Correr os olhos por alguns cardápios da cidade é diversão garantida. De Frango Atropelado a Lingüiça Queima-rosca, a receita é carregar no bom humor

Kátia Nunes
katian@cpopular.com.br

Abrir o cardápio num bar ou restaurante e dar de cara com uma indicação de prato com nome engraçado é meio caminho andado para momentos de descontração. Além disso, a sugestão costuma ser um bom tema de conversa à mesa.

Criados pela própria casa, como o Feijão com Tranqueira, ou adotados no País inteiro, a exemplo da Vaca Atolada, os nomes de alguns pratos demonstram a irreverência e o bom humor do brasileiro, que brinca até na hora das refeições.

É o caso do X-Miséria, um prosaico pão com mortadela servido há 20 anos no Bar do Vadico. “Quando batizamos o lanche já tinha tudo quanto era X. X-Tudo, X-Bacon, X-Salada... O complemento Miséria veio para ironizar mesmo”, conta o sócio Victório Greggio.

O proprietário da Mercearia São Painho, Marcelo Ramalho Pereira, que tem na casa opções como Lingüiça Queima-rosca e o lanche Buraco Negro, observa que os clientes sempre se divertem ao correr os olhos no cardápio. Muitas vezes, a escolha do cliente é pelo prato com nome mais engraçado. “A surpresa desperta a vontade de provar aquele que mais chama a atenção”, comprova Pereira.

Na lanchonete Piu Piu, no Cambuí, todas as sugestões têm nomes de personagens de desenhos infantis. “Quando fomos ao Piu Piu pela primeira vez, meus amigos e eu ficamos relembrando os desenhos que assistíamos na infância. Cada item do cardápio era uma sessão nostalgia. E, conforme os comentários, sabia-se a faixa etária de cada um. Um amigo brincou que ele é do tempo do Pokemón”, diverte-se a empresária Sandra Mara Reinaldi Siqueira, freqüentadora da lanchonete.

As origens dos nomes criativos são variadas. Podem ter nascido da imaginação dos proprietários na hora de elaborar o menu, nos apelidos dados pratos pelos garçons e nas brincadeiras ou comparações feitas pelos clientes. Num passeio por botecos, bares, lanchonetes e restaurantes de Campinas, Metrópole listou 21 nomes curiosos de pratos que vão dos trivais aos elaborados.

ROLHA

No Giovannetti

O nome tem mais de 40 anos. Quando o croquete de carne foi batizado de rolha, não havia comanda no Giovannetti e os cozinheiros tinham dificuldade de ouvir o pedido dos clientes que os garçons gritavam do balcão. Para evitar erros, o croquete virou rolha pela semelhança com a tampa da garrafa de vinho e por ser uma palavra mais fácil de pronunciar e de ouvir.

MILIONÁRIO

No Giovannetti

A porção de quibes virou Milionário depois que imigrantes árabes que moravam em Campinas passaram a freqüentar o Giovannetti. Como os xeiques da Arábia tinham fama de milionários e os imigrantes só pediam quibes, associou-se uma coisa à outra.

ENVELOPE

No Giovannetti

Uma brincadeira entre cliente e garçom, há 40 anos, originou o nome Envelope para o pastel. O gerente da unidade II do Giovannetti, Leonildo Alves Moreira, diz que foi pela maneira que a massa era dobrada, semelhante a um envelope.

BIGODE

No Giovannetti

Segundo o gerente do Giovannetti II, Leonildo Alves Moreira, faz 30 anos que o empanado de camarão está no cardápio como Bigode. O camarão, envolvido com uma massa de catupiry, farinha de trigo e corante, é todo revestido, com exceção da cauda do crustáceo, que fica parecendo um bigode.

Bigode

Na Mercearia São Painho

O acabamento feito com queijo cheddar sobre a omelete enrolada inspirou o nome de Bigode ao prato. A casa ainda tem outras omeletes com nomes curiosos, como Cheiroso (mussarela, tomate e manjericão) e Porquinho (bacon, lombinho, mussarela e salame).

HÓSTIA

Na Mercearia São Painho

O queijo provolone derretido em chapa lembra uma hóstia. Mas só no formato, pois cada disco da porção é muito maior que uma hóstia de verdade. Em alguns bares, o tira-gosto também é chamado de “bolacha”.

BURACO NEGRO

Na Mercearia São Painho

Sem corte, o pão francês recebe o recheio por um buraco feito numa das pontas. Mais pedido da casa, o Buraco Negro leva carne moída, ovo, gorgonzola e azeitonas pretas. Os ingredientes são misturados na chapa antes de irem para o pão, substituindo o miolo que foi retirado.

LINGÜIÇA QUEIMA-ROSCA

Na Mercearia São Painho

Porção de lingüiça apimentada fatiada e levemente tostada. É servida com alho curtido. Excelente acompanhamento para chope ou cerveja gelada.

DEMONICO’S

No Joe & Leo’s

Um lanche gigantesco com tudo o que americano gosta: pepino agridoce, hambúrguer caseiro de picanha, cebola em cubos, queijo cheddar, tomate e alface no pão com gergelim. O nome é uma homenagem ao Demonico’s, de Nova York, o primeiro restaurante a colocar no cardápio a carne bovina em forma de hambúrguer, supostamente em 1827, segundo o sócio do Joe & Leo’s André Cunha Lima.

BRONCO BURGER

No Joe & Leo’s

São 200 gramas de um hambúrguer (quase 100 a mais do que um hambúrguer comum) acompanhado de alface, tomate, mussarela e pão com gergelim. Devido à sua “potência”, recebeu o nome de bronco. Segundo a sócia, Elisabete Lima Ribeiro, é o sanduíche mais vendido no restaurante.

CHURRASCO LOUCO

Na Choperia Beppo

Quando apresentou aos funcionários o sanduíche de filé mignon, mussarela, tomate seco e molho de cebola no pão ciabata, perguntaram ao proprietário Giovanni Stival Pamfílio que nome ele iria dar. “Sei lá, esse é um churrasco meio louco”, respondeu. O lanche é o campeão de vendas da casa, que chega a preparar 40 unidades numa noite de sábado.

ESCONDIDINHO

Na Choperia Beppo

O prato nordestino é bem conhecido dos campineiros. A carne-seca desfiada e acebolada fica entre duas generosas camadas de creme de mandioca com requeijão e catupiry. Polvilhada com queijo parmesão ralado e gratinado no forno, a carne é escondidinha no creme e dá o ar da graça já na primeira garfada na fumegante da iguaria. Prato semelhante de mesmo nome é famoso também no Bar do Cação.

MAÇARICO

Na Choperia Beppo

É o sanduíche de pão francês com lingüiça, mussarela e vinagrete criado pelo proprietário Giovanni Stival Pamfílio. A lingüiça, trazida do Mercado Municipal da capital paulista, é bastante apimentada, o que inspirou o nome Maçarico. “Quem não gosta de pimenta, melhor não experimentar”, avisa Pamfílio.

Maçarico

Na Bráz Pizzaria

A Bráz Pizzaria também serve Maçarico para quem aprecia pimenta. A pizza, além de levar lingüiça defumada apimentada e cebola, recebe uma “chuva” de pimenta-calabresa seca, o que reforça o sabor picante. “Tem gente que ainda derrama molho de pimenta na pizza”, conta a sócia, Luciana Damato Lemos Monguilod.

OBELIX

Na Bráz Pizzaria

A pizza com fatias de lingüiça de javali, mussarela e molho de tomate lembra o prato preferido de Obelix, parceiro de Asterix nos quadrinhos publicados originalmente na França. A pizza foi criada pelo sócio e pizzaiolo André Lima. Mas o nome de batismo foi sugerido por Edgard Costa, também proprietário: “Sou fã das histórias da dupla. Tenho tudo deles”, justifica Costa.

X-MISÉRIA

No Bar do Vadico

Uma ironia à fama de “presunto de pobre” da mortadela e à onda do “X-alguma-coisa” que grassava pelos cardápios da cidade na época em que foi criado. Mas miséria mesmo, só no nome, pois o sanduíche de pão francês com mortadela, mussarela e vinagrete servido pelos irmãos Osvaldo (Vadico) e Victório Greggio é rico em recheio.

FLAUTA

No Café Cancun

O prato mexicano já chegou ao Brasil com este nome. O formato compridinho e firme lembra uma flauta. É uma tortilha de trigo frita, com recheio de carne bovina ou de frango. Vem acompanhado de molhos típicos mexicanos.

PIUZINHO E PIU GRANDÃO

No Piu Piu

O menor e o maior dos sanduíches da lanchonete Piu Piu levam nomes opostos que remetem à logomarca da casa. O Piuzinho, preferido das crianças, tem hambúrguer e queijo prato no pão com gergelim. A empresária Sandra Mara Reinaldi Siqueira explica a preferência das crianças pelo Piuzinho. “Por ser pequeno, chega logo à mesa, é devorado rapidamente e a criança sai correndo para se divertir no playground”, brinca.

Já o Piu Grandão é apresentado com a seguinte mensagem: “Recarregue suas energias”. Trata-se de pão de hambúrguer com hambúrguer, milho, bacon, ovo, alface, tomate, mussarela e presunto.

FRANGO ATROPELADO

Na Churrascaria Brasa D’Oro

O frango desossado grelhado adquire um formato achatado ao ser preparado. As faixas deixadas pela grelha lembram marcas de pneu, o que inspirou o nome de Frango Atropelado. O proprietário Antonio José Scalabrini conta que, há cerca de dez anos, um cliente pediu o prato referindo-se a ele como frango atropelado. Scalabrini gostou da comparação e adotou o nome.

FEIJÃO COM TRANQUEIRA

No Feijão com Tranqueira

O objetivo da casa era oferecer um prato com cara de coisa mineira. “No feijão carioquinha vai calabresa, bacon, paio, lingüiça e carne-seca. São ingredientes bons que de baratos não têm nada. Com o nome, invertemos o jogo”, explica o proprietário Carlos Alberto Fernandes de Carvalho.

VACA ATOLADA

No Feijão com Tranqueira

O nome, já tradicional, foi dado em virtude da aparência do prato. Costela de vaca já pronta, servida em caldo grosso de mandioca.

FRANGO ATROPELADO FERRO VELHO

Na Churrascaria Brasa D’Oro

Frango Atropelado com cobertura de bacon, alho, tomate seco, rúcula, provolone, azeitonas pretas e mussarela. Os complementos dão uma coloração ferrugem ao prato, daí o Ferro Velho.

Na Churrascaria Frango Atropelado

A receita do frango desossado e grelhado está não só no cardápio, como também no próprio nome da churrascaria que funciona há quatro anos na Chácara da Barra.

Nossas fontes:

Bar do Vadico, f. 3232-0428
Beppo, f. 3756-9386
Brasa D’oro, f. 3242-9838
Bráz Pizzaria, f. 3251-4444
Café Cancun, f. 3207-0554
Feijão com Tranqueira, f. 3298-6682
Frango Atropelado, f. 3294-8872
Giovannetti II, f. 3232-0844
Mercearia São Painho, f. 3254-3721
Piu Piu, f. 3255-6546

 
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