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Revista Metropole
Dentista em casa
Necessidade para alguns. Comodidade para outros. Seja
qual for o motivo, é possível recorrer aos serviços odontológicos
em domicílio nas cidades da região de Campinas
Renata Freitas rfreitas@cpopular.com.br
O atendimento odontológico domiciliar, incorporado à rotina de grandes centros como São Paulo há alguns anos, já é uma realidade na região de Campinas. Muito além da praticidade e da tranqüilidade de ser atendido por um dentista no aconchego do lar, o serviço leva os cuidados com a saúde bucal à casa de pessoas impossibilitadas de se dirigir até os consultórios odontológicos.
Pacientes enfermos, pessoas com dificuldade de locomoção, portadores de necessidades especiais, idosos e gestantes são os maiores beneficiados pela possibilidade de fazer tratamentos dentários em casa. “A saúde começa pela boca e muitas doenças podem ser agravadas por problemas bucais”, diz o cirurgião-dentista Daniel Boklis, que oferece o atendimento domiciliar desde o final do ano passado.
Mas o dental home care, como também é chamado o serviço, é boa opção para os que preferem enfrentar o receio da cadeira do dentista na tranqüilidade do lar. Boklis afirma que em São Paulo o serviço também é muito procurado por quem evita o trânsito ou teme a violência urbana. “Em Campinas, a maior parte dos pacientes é de pessoas impossibilitadas de ir ao consultório”, diz.
Os benefícios proporcionados pelo atendimento odontológico na residência não param por aí. “Há uma redução do estresse e da tensão, muitas vezes provocados pela expectativa na sala de espera”, relata o dentista Rafael Morais Bersan, que realiza o atendimento em residências há cerca de um ano e meio, junto com a dentista Salete Meiry Fernandes.
Segundo os profissionais, praticamente todos os procedimentos odontológicos podem ser realizados nas consultas residenciais. Limpezas, tratamento de cáries, extrações simples, pequenas cirurgias de tecido mole e próteses são alguns deles. “É possível fazer até 80% dos tratamentos. As exceções são os casos que exigem raio X, como o tratamento de canal”, afirma Salete.
O dental home care ainda não faz parte da cobertura de planos odontológicos. O valor das consultas domiciliares é de 30% a 40% superior ao cobrado nos atendimentos em consultório, de acordo com os dentistas que oferecem o serviço na região.
Consultório residencial
Rafael Bersan e Salete Fernandes tiveram a idéia de oferecer o serviço ao observar que muitas pessoas têm dificuldade de ir ao dentista. Por isso, pensaram em levar a estrutura do consultório até elas. Eles contam com instrumentos especiais para o atendimento e possuem um verdadeiro consultório domiciliar.
A estrutura portátil, cujos equipamentos são fabricados no Brasil, é semelhante àquela que há em um consultório comum: cadeira, mocho (banquinho para o dentista), equipo (suporte no qual estão os instrumentos), compressor de ar e um pequeno armário. Tudo é levado à casa do paciente e montado antes da consulta.
Daniel Boklis também possui equipamentos especiais para o atendimento em domicílio, com algumas adaptações feitas por ele. A cadeira, por exemplo, conta com um encosto nas laterais da cabeça, que dá apoio maior aos pacientes.
A cadeira só não é utilizada nos casos em que o paciente está acamado. Segundo os dentistas, a montagem do consultório em casa leva de 15 a 20 minutos.
Uma das primeiras pacientes domiciliares atendidas por Rafael Bersan e Salete Fernandes foi Ofélia Perim de Morais, 75 anos. “Eles são uns amores, muito pacientes e tranqüilos”, avalia. Ela elogia a iniciativa de oferecer as consultas odontológicas domiciliares. “Tem muita gente de idade que não pode pegar condução para ir ao consultório”, explica.
Na opinião de Ofélia, é mais seguro receber o atendimento em casa. “Hoje em dia, tem muito assalto e é melhor fazer o tratamento no local da gente”.
Boas energias
O atendimento a enfermos, acamados e com dificuldades de comunicação é complexo e envolve principalmente o lado humano da relação dentista e paciente. Segundo Daniel Boklis, o profissional tem que ter um perfil diferenciado. “É preciso levar energia positiva para o paciente e a família, que geralmente está fragilizada”, diz.
Rafael Bersan ressalta que muitos dos que necessitam do atendimento em domicílio estão desamparados e requerem mais atenção. “Temos que estar atentos a todos os sinais que o paciente dá, principalmente se for alguém com dificuldade de comunicação. Essas pessoas não conseguem demonstrar dor e muitas vezes nem choram”.
Além da atenção redobrada, os dentistas conversam com o médico responsável para conhecer o quadro de saúde geral do paciente, especialmente no caso de portadores de doenças graves.
O comprador Américo Ferreira de Camargo Neto recorreu aos serviços de Bersan e Salete Fernandes quando sua tia Maria Helena Cabral, 80 anos, vítima de derrame, precisou extrair um dente. “Nós não sabíamos até que ponto o dente doía e quando soubemos que eles fazem esse trabalho ficamos felizes, porque não tínhamos como levá-la ao consultório“, conta.
Segundo ele, os dentistas foram bastante cuidadosos e demonstraram um carinho grande pela paciente. “Ela não sofreu dor durante o tratamento e achei o preço justo. Se fosse levá-la a um consultório poderia ter saído mais caro”, diz Camargo Neto.
Margarete Dietrich, 70 anos, também precisou de uma consulta odontológica domiciliar para sua filha Helena Angelina Machtans, 47 anos, que teve um aneurisma em 2002 e passou um ano em coma. Ao sair do coma, no final do ano passado, a paciente começou a se queixar de dor de dente.
Como a filha ainda tem muitas seqüelas, o que dificulta sua locomoção a um consultório, Margarete recorreu a Daniel Boklis para atender Helena em casa. O problema foi resolvido e ela deixou de sofrer com a dor de dente. “Esse atendimento pode ajudar outras pessoas que se encontram na mesma situação. Deveria ser disponibilizado em planos de saúde”, sugere Margarete.

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