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Publicada em 20/2/2005

Revista Metropole
A família cresceu

Caism chega à segunda geração de crianças nascidas por meio do parto de cócoras

Maristela Tesseroli
maristela@rac.com.br
Especial para a Metrópole

Com apenas quatro meses de idade, Yan Weishaupt Mello já é uma “celebridade” no Grupo de Parto Alternativo do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp. No dia 1º de outubro de 2004, exatamente às 20h52, Yan chegou ao mundo por meio do parto de cócoras.

Seria apenas mais uma entre centenas de experiências bem-sucedidas de parto alternativo na unidade não fosse o fato de, há quase 20 anos, em abril de 1986, a avó de Yan, a engenheira química Cecília Tereza Weishaupt Proni ter sido uma das primeiras parturientes a utilizar-se da técnica para dar à luz Marina Tereza Weishaupt Proni, mãe de Yan.

O bebê, que nasceu com 52 centímetros e quase quatro quilos, torna-se, assim, o primeiro representante da segunda geração de crianças nascidas no Caism por meio do parto de cócoras.

“Durante toda a minha vida, ouvi minha mãe comentando a experiência do meu parto e o de minha irmã, ambos de cócoras, de uma forma muito positiva”, conta Marina. “Durante a minha gestação, ela nunca me impôs nada, mas, analisando as possibilidades e por tudo o que ouvi dela, cheguei à conclusão de que, realmente, o parto de cócoras seria a melhor opção”.

O relato de Marina traz à tona uma das premissas básicas do Grupo de Parto Alternativo da Unicamp, coordenado pelo professor e obstetra José Hugo Sabatino. “Precisamos rever nossos conceitos em relação à preparação do casal grávido e devemos trabalhar com afinco para fazer do parto um momento sagrado, único e positivo para a mulher e seu companheiro”, defende Sabatino. “Quando bem preparados, o homem e a mulher levam apenas boas lembranças desse momento e, em nosso grupo, quase sempre a mulher retorna para ter o segundo filho também por meio do parto de cócoras”.

No caso de Cecília e Marina, embora façam questão de salientar que os motivos que as conduziram ao parto de cócoras tenham sido distintos – Cecília optou pela técnica por conta de sua ideologia naturalista, na época, e Marina decidiu-se depois de informar-se sobre todos os métodos disponíveis – ambas são unânimes em apontar a participação do companheiro, a ausência de métodos invasivos para alívio da dor e a liberdade de movimentos dada à mulher no momento do nascimento da criança como as principais vantagens do parto de cócoras em relação a outras técnicas.

“O pós-parto é algo fantástico também”, complementa Cecília. “A recuperação da mulher é quase imediata e eu me sentia muito disposta para cuidar de minhas filhas logo após o parto”.

Marina concorda. Embora tenha tido algumas complicações por conta do tamanho do bebê, ela recuperou-se rapidamente e, em poucas horas, sentia-se muito bem disposta, capaz de dar toda a atenção a seu filho.

Diante de depoimentos tão positivos, o parto alternativo ganhou mais uma fã na família Weishaupt Proni. Com apenas 15 anos, Mariana – irmã de Marina e tia-corujíssima de Yan – nem pensa em gravidez e bebês por enquanto. Mas, quando isso acontecer, ela não mostra qualquer dúvida. “Tenho certeza de que o parto de cócoras é a melhor opção para trazer um bebê ao mundo. E, se tiver filhos, gostaria que eles também nascessem por meio dessa técnica”.

Ação da natureza

Embora esteja à frente do Grupo de Parto Alternativo do Caism desde sua formação em 1981, e já tenha trazido centenas de crianças ao mundo por meio do parto de cócoras, não foi o médico Hugo Sabatino quem esteve presente ao nascimento de Yan Mello.

Quando Marina deu entrada no Caism para dar à luz, Sabatino estava na Espanha, onde participava de um intercâmbio com duas universidades para apresentar a inovadora experiência brasileira do parto alternativo em hospital público.

“Mas, qualquer profissional de nossa equipe consegue assessorar a gestante no parto de cócoras”, explica o obstetra. “Isso significa que a técnica é eficaz e não requer a presença deste ou daquele profissional. O parto é um acontecimento natural que depende muito mais do envolvimento do casal do que dos profissionais. Daí a necessidade de prepararmos o homem e a mulher da melhor forma possível e interferirmos minimamente neste momento tão especial na vida da família”.

Por conta disso, no parto de cócoras é dada à mulher a liberdade de posição e movimentos e a chance de escolher seus acompanhantes no momento do parto. À equipe médica cabe oferecer a ela o maior conforto possível. Durante todo o tempo em que se prepara para o parto, a gestante recebe líquidos, é incentivada a usar métodos não invasivos para aliviar a dor, como os banhos quentes, e tem completa liberdade para decidir qual o melhor momento para a expulsão, que pode ser breve ou prolongada.

Imediatamente após o nascimento, o bebê é colocado perto da mãe para ser amamentado .

“O parto não precisa ser uma experiência traumática”, defende Sabatino. “É claro que há exceções, mas se deixarmos a natureza agir, tudo tende a transcorrer da melhor forma possível, já que 80% das mulheres têm condições de dar à luz sem a necessidade de intervenção médica”.

Poucas horas antes de conceder a entrevista à reportagem de Metrópole, o médico trouxera mais uma criança à luz por meio do parto de cócoras. Filho do casal Priscilla Brigitte e Andrés Fraiz, Pedro olhava atentamente para os pais e por eles era observado com fascínio. A tranqüilidade da mãe, o entusiasmo do pai e a emoção da avó Zilma Brigitte davam mostras de que a experiência por que o grupo havia acabado de passar fora bastante positiva. Forte indício de que a família Brigitte Fraiz, assim como os Weshaupt Mello, deverá continuar crescendo com a ajuda da equipe de Sabatino.

Nossa fonte:

Hugo Sabatino, obstetra, f. 3788-9304

 
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