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Revista Metropole
Cadê o álbum?
Com todas as facilidades para visualizar as imagens feitas por câmeras digitais, o hábito de ver as fotos em papel está se perdendo. Com isso, cenas significativas de viagens, eventos e festas são esquecidas nos arquivos de usuários que nunca se dispõem a organizá-las e encaminhá-las para a revelação
Michele Médola michele@rac.com.br
Com a popularização das câmeras digitais, geralmente pequenas e fáceis de usar, qualquer evento passou a ser merecedor de registros detalhados. E não faltam razões para que a fotografia digital ganhe cada vez mais espaço.
Pode-se conferir a qualidade da imagem quase no mesmo instante do “click”, salvar ou apagar a foto, “colar” o dedo no disparador e congelar quantas cenas quiser, enviar a foto por e-mail a amigos, postá-la em blog, exibi-la no aparelho de tevê e até revelá-la (ou imprimi-la, de acordo com a técnica utilizada) como se faz com o filme convencional, aqueles de 12, 24 e 36 exposições.
Mas existe um problema, justamente nesta última possibilidade. Com tantas opções para visualizar as imagens, os simpáticos álbuns de fotografias, inclusive aqueles fornecidos pelas lojas especializadas em revelação, estão em franco desaparecimento. Quase não se vê mais fotografias de papel e, com isso, imagens e mais imagens vão sendo esquecidas em CDs ou arquivos de computadores.
A tecnologia digital está impondo novos hábitos aos usuários. A empresária Elizabeth Zordan é um exemplo. “Sempre gostei muito de fotografar. Há dois anos adquiri minha máquina digital e passei a fotografar muito mais. Mas, agora, nunca revelo as fotos”, conta. Para ela, o fato de poder saciar a curiosidade de ver o registro imediatamente, faz com que se adie, “por tempo indeterminado”, a revelação.
Tão indeterminado que o tempo passa e as fotos, até as mais significativas, acabam esquecidas. Outro problema é o volume de imagens armazenadas. As fotos digitais se multiplicam rapidamente e passam a exigir tempo para serem organizadas e selecionadas para revelação. “Acredito que eu tenha cerca de mil fotos digitais armazenadas. Sempre me lembro de que preciso escolher as que vou revelar. Mas nunca dá tempo e a quantidade de fotos só aumenta. Daí, passar as imagens para o papel fica cada vez mais caro”, diz.
Para Elizabeth, ver fotos no álbum ainda é mais interessante do que em tela de computador. “É muito legal poder fazer isso. Mas não sei quando terei as fotos em papel novamente”, afirma. Assim, os amigos também não conseguem ver os registros que a empresária faz de festas e viagens, pois ela nunca cumpre a promessa de enviá-los por e-mail. “Estou devendo fotos para muita gente”, admite.
Segundo o engenheiro elétrico Marcos Assano, adepto das digitais há três anos, a atual tecnologia faz com que o ritual de reunir amigos para curtir o álbum de fotografias se perca. “Para ver as fotos de um filme convencional é obrigatório revelar e pagar por elas. Se estão boas ou não, só se sabe depois”, afirma. Assano conta que, numa viagem, chega a fazer mil fotos em apenas uma semana. As melhores ele coloca num álbum pessoal que mantém na internet, outras passa para um DVD e algumas, envia aos amigos por e-mail. “De todas as fotos que faço hoje, menos de 1% são passadas para o papel”, conta.
Carlos Kruger, engenheiro eletrônico, encontrou novas formas de reunir amigos e parentes para ver fotos: “Quando recebo uma pessoa em casa, exibo o conjunto no computador e mostro as melhores, que já foram passadas para o papel. A quem se interessar em tê-las para arquivo próprio, cedo um CD com as fotos gravadas. Para atrair a atenção dos amigos, envio algumas por e-mail, antecipadamente”.
‘Não sinto falta do papel’
Se para alguns usuários, o velho álbum de fotografia faz falta, outros aderiram sem nostalgia à nova tecnologia. O publicitário Marcelo Paradella nunca imprimiu ou revelou uma única foto digital. Ele compartilha o equipamento com o irmão e conta que o leva a todos os lugares: shows, baladas, festas, passeios etc. “Antes, só fazia fotos em ocasiões especiais, como viagens importantes. Mas desde que comprei uma máquina digital passei a usá-la com mais freqüência”, relata.
Após descarregar as imagens no computador, ele mantém as que considera mais interessantes, grava boa parte em CD e repassa aos amigos, via e-mail ou MSN (Messenger, programa de conversa pelo computador). “Acho bem mais prático do que revelar as fotos. Para mim, o álbum não faz falta nenhuma”, conclui.
Menor custo para as digitais
Embora boa parte dos adeptos da nova tecnologia não se disponha a passar as imagens para o papel, o custo da revelação é mais baixo para as fotos digitais, já que o usuário não precisa comprar o filme virgem, como acontece com as máquinas convencionais. Além disso, com a câmera digital é possível selecionar as imagens preferidas e descartar as que não interessam. Segundo o gerente da Foto Ferrari, Edson Schiabel, uma cópia de filme convencional custa R$ 1,03 (valor referente ao preço do filme mais a revelação), enquanto a digital sai por R$ 0,95.
E o mercado não deixa dúvidas quanto à supremacia digital. A venda de filmes e máquinas convencionais tem diminuído na mesma proporção em que cresce a procura pelas câmeras digitais. “Hoje, de 100 máquinas vendidas, 90 são digitais”, compara Schiabel. O número de revelações provenientes de rolos também caiu. “Eram 200 filmes num fim de semana, agora são 70”, completa.
Ele percebe que, atualmente, as pessoas fazem um número maior de fotos, mas revelam bem menos. O engenheiro eletrônico Carlos Kruger é um exemplo. “Depois que comecei a utilizar a câmera digital, meu número de exposições aumentou bastante. Por questão de custo, eu deixava de fotografar coisas que desejava, porque teria de revelar depois e isso ficava caro”, analisa Kruger.
Na opinião de Schiabel, apesar de todas as vantagens das fotos digitais, o hábito de manipular as imagens em papel está longe de se perder. “Mesmo com fotos gravadas em DVD, por exemplo, ainda existe o hábito de ver e mostrar imagens em papel a outras pessoas”, comenta.
Schiabel chama a atenção ainda para o fato de as fotos digitais poderem ser encaminhadas às lojas por meio de qualquer mídia: CD, disquete, memory stick, site, entre outros. Há fotóticas que recebem o material também por e-mail. Em comparação ao filme, as fotos digitais são reveladas com muitas vantagens: “Enquadramen-to, zoom e brilho podem ser trabalhados ainda no computador, antes de ir para o papel, na própria loja”, exemplifica.
Vida nova à fotografia
Com a popularização das máquinas digitais e o declínio dos álbuns, está ocorrendo uma transformação na fotografia, segundo o empresário William Marques, responsável pelo conserto e manutenção de máquinas fotográficas há 15 anos. “As fotos digitais deram nova vida à fotografia, que estava ficando à mercê dos românticos”, afirma Marques, numa referência àqueles que vêem a fotografia como um ritual, que vai da compra do filme virgem à revelação e à exibição das fotos em papel.
Hoje, diz ele, qualquer pessoa sai com uma máquina a tiracolo e fotografa eventos, viagens e ocasiões informais. “Internet, imagens nos sites e e-mails... Tudo isso contribui para a disseminação das fotos digitais”, diz.
A tecnologia exige mudanças também na conservação do equipamento. Ele explica que as máquinas convencionais têm maior durabilidade. Já as digitais são mais delicadas em relação às tradicionais e requerem mais cuidados na utilização, no manuseio e armazenamento. Atualmente, de todo material que Marques recebe para conserto na loja, 80% são máquinas digitais.
Lembre-se de que a máquina digital...
É mais frágil do que a máquina de filme. Resiste menos à umidade e ao calor. Pode sofrer interferência em seu funcionamento até com um grão de areia. É sensível à trepidação. Desgasta-se com mais facilidade por conta do uso intenso em relação às câmeras convencionais, que não são utilizadas na mesma proporção.
Vantagens da fotografia digital
É possível ver a foto no momento em que é feita. É possível apagar a foto que não interessa. A capacidade de armazenamento é grande e pode-se selecionar as melhores para guardar. Não há gasto com filmes. A foto pode ser disponibilizada por e-mail, MSN, site, blog, fotolog etc. É possível selecionar as fotos para revelação. Antes da revelação, as imagens podem ser tratadas e corrigidas, melhorando a qualidade. A matriz da foto, que é digital, tem menos desgaste do que o negativo.
Nossas fontes
Edson Schiabel da Foto Ferrari, f. 3756-7701
William Marques, da Tema Técnica, f. 3232-0814

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