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Publicada em 25/5/2010

José Nadai
Vocês são testemunhas dessas coisas

José Arlindo de Nadai
asscom@arquidiocesecampinas.org.br

A prática da oração pela unidade dos cristãos é um eco da Oração sacerdotal de Jesus que continua repercutindo no coração das Igrejas cristãs, discípulas do Divino Mestre. “Pai, que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro e aquele que enviaste, Jesus Cristo... eles guardaram tua palavra, porque as palavras que me deste eu as dei a eles e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que sai de junto de ti e creram que me enviaste. Por eles eu rogo... Pai santo, guarda-os em teu nome, para que sejam um como nós... Santifica-os na verdade... Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua Palavra, crerão em mim a fim de que todos sejam um, assim como nós somos um. Como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós” (Jo 17).

Todo ano, as Igrejas de tradição cristã programam e realizam a Semana de Oração pela unidade dos cristãos. Entre nós no Brasil, acontece na semana que precede a Solenidade de Pentecostes, pois cremos, segundo as Escrituras, que o Espírito Santo prometido por Jesus, foi derramado sobre os discípulos(as) reunidos no cenáculo, meio medrosos, mas esperançosos.

O Espírito consagrou-os no ardor do fogo, que fez arder seus corações e clareou suas mentes para compreenderem o Mistério oculto que se revela em Jesus Cristo, com o qual tinham convivido intimamente como amigos. E como um vento impetuoso que espalancou portas e janelas, invadindo toda a sala, desinstalou-os e enviou-os pelo mundo afora com ousadia e coragem, “como testemunhas dessas coisas” (Lc 24,48).

Somos testemunhas dessas coisas — é o que o texto proposto, na sua íntegra no capítulo 24 do Evangelho de Lucas, nos comunica e interpela. Se as testemunhas não se acertam nem combinam entre si, fica muito estranho falar de fraternidade, solidariedade, amor a um mesmo Mestre e do compromisso com o projeto do Reino por ele anunciado... no meio de enfrentamentos, desuniões e desconfiança mútua. O ecumenismo cultiva também um vínculo afetivo de estima e respeito mútuos e até de admiração pela dedicação dos evangelizadores ao mandato missionário do Senhor.

Neste ano, a Semana de Oração deu prosseguimento à Campanha da Fraternidade Ecumênica e situou-se no centenário da Conferência de Edimburgo (Escócia), que se deu em 1910, considerada como grande impulso do movimento ecumênico, por iniciativa das Igrejas protestantes, desafiadas pela importância da unidade e coerência na Missão, especialmente nos países da Ásia e da África.

Neste espírito de oração, as comunidades cristãs das Igrejas: Luterana, Presbiteriana Independente, Anglicana, Igreja Cristã Reformada do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa e Igreja Católica, realizaram, de 16 a 23 de maio, em Campinas e em todo o Brasil, suas celebrações e vigílias ecumênicas, com fé, esperança e muita alegria.

O mesmo aconteceu em todas as Igrejas do Conselho Mundial das Igrejas, do hemisfério norte, no período de 18 a 25 de janeiro.

O movimento ecumênico se faz na oração e pela reflexão; por isso, vamos realizar o 2º. Ciclo de Estudo – Aprofundamento o Diálogo Ecumênico hoje, nos dias 1º de junho e 8 de junho na Igreja Luterana, Rua Álvares Machado, 492, Centro, Campinas, às 19h30.

Temas pela ordem: O Ecumenismo no Concílio Vaticano II I, D. Antonio Celso Queirós; Conferência de Edimburgo, teólogo Darli Alves (JPI); A Reforma Protestante, Pr. Lauri Wirth, Promoção do Movimento Fraterno das Igrejas Cristãs de Campinas - Mofic.

Padre José Arlindo de Nadai é membro do Mofic e porta-voz da Arquidiocese de Campinas.

 

 


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